Há 50 anos o Porsche 911 fez sua estreia no automobilismo nos estágios em Monte. O GT3 RS recria seus passos

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A CHUVA FINALMENTE PAROU, mas as estreitas estradas ainda estão escorregadias, sua superfície cheia de fissuras desafia o ABS do Porsche nas freadas. Pior, a direção do GT3 RS telegrafa mensagens confusas; as vezes sinto claramente as pancadas dos blocos de concreto, outras, pareço nem estar sobre um asfalto cor de ferrugem cheio de folhas de pinheiro que parecem agulhas de tricô – apenas mais uma situação para acelerar o coração. Você torce para não escapar de frente em Col de Turini: um erro aqui e o resultado termina ou numa parede de rochas afiadas, ou o desfiladeiro do outro lado.

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Depois deste setor de curvas intermináveis, tenho a possibilidade de acelerar em estradas mais abertas, o motor passa dos 8.000 rpm em segunda, pedindo terceira, até espremer o pedal de freio na próxima curva, acompanhado de uma redução, boca seca, mãos agarrando o volante como uma lagartixa na parede.

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O ‘splitter’ dianteiro do RS raspa no chão em alguns setores mais rápidos, folhas são levantadas na parte traseira do carro e o motor 6 cil. boxer ecoa nas rochas. Tenho certeza que Herbert Linge e Peter Falk estariam orgulhosos comigo, da forma como encaro este trecho, como eles fizeram em 1965.

Há 50 anos o 911 fez sua estreia em automobilismo no Monte Carlo Rally, apenas quatro meses depois de entrar em produção. Em condições severas de inverno – 90% dos 237 carros que largaram não terminaram a prova – o 911 vermelho rubi número 147, batalhou pelo quinto lugar na geral e primeiro em sua classe.

O diretor de prova Huschke von Hanstein achou que seria uma ótima ocasião para apresentarmos o carro ao mundo e à imprensa na Praça da Princesa em Monte Carlo, relembra o piloto Herbert Linge. “Ele queria que trouxéssemos o carro inteiro ao final do último estágio, o que na verdade era nossa maior missão, chegar em Monte Carlo”.

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Talvez mais impressionante ainda era o fato de que Hanstein não dava este recado a um piloto experiente de rally: Linge e o navegador Falk eram engenheiros da Porsche. “Eu trabalhava na área de testes e também como engenheiro de competição, já tinha pilotado bastante em rallyes: Liége-Roma-Liége, Tour de France, Córsega…” recorda Linge. “Portanto, eu sabia que tinha condições de pilotar e o amigo Falk acumulava boa experiência no rally”.

Assim, a dupla teve duas oportunidades para reconhecer o mítico trajeto em 1964, na metade do ano e depois na época de Natal, para então encarar os melhores do mundo: Roger Clark, Paddy Hopkirk, Ove Andersson…

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Típico da época, o carro 147 era básico e despojado: motor 2.0 l preparado que elevou os 128 cv originais para cerca de 160 cv com a substituição dos carburadores originais Solex por Weber, trabalho de polimento na admissão e cabeçote, maior compressão e redução de peso no volante do motor; os freios foram aumentados, amortecedores Boge instalados, assim como barra estabilizadora traseira. O diferencial autoblocante ZF trabalhou com relação final mais curta. O tanque de combustível aumentou de 62 para 83 litros. Uma barra metálica instalada abaixo da placa traseira permitia que o navegador fi casse em pé sobre ela. Recurso bem interessante em caso de atolamento…

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