A coincidência de uma grande alteração programada no regulamento técnico com uma inesperada mudança no controle comercial, gerou uma receita totalmente nova para a fórmula 1 em 2017. A Maior revolução será na filosofia em relação à interação com o público, mas os carros ficaram maiores, com pneus mais largos e consequentemente mais rápidos. Os pilotos terão um trabalho mais pesado a partir dessa temporada

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A DÉCADA DE 70 a Fórmula 1 revolucionou sua projeção no planeta, deixou de ser um esporte da aristocracia europeia para realmente virar um circo de caráter mundial. Com a chegada da TV em cores e as transmissões via satélite, a F1 tornou-se o máximo do esporte a motor, referência de tecnologia e cultura pop, que encantava de engenheiros a torcedores fanáticos. Eram cores em movimento, que continham uma brutalidade medieval na busca pela glória: na época a categoria vitimava em média dois de seus pilotos por ano.

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Era um Big Brother com muita ação, festas, champanhe e mulheres bonitas, onde casualmente alguns protagonistas eram eliminados da vida ao vivo e a cores. Uma receita infalível de audiência. E foi exatamente o inglês Bernie Ecclestone que enxergou e deu forma comercial à oportunidade, gerando milhões de dólares em direitos de TV que eram divididos pelas equipes, de acordo com seus resultados. Na prática, o sigiloso Pacto da Concórdia, assinado pelas equipes, regia de forma nebulosa todas as relações comerciais envolvendo a categoria, inclusive o contrato de pilotos.

A categoria cresceu comercialmente cada vez mais e Ecclestone viu sua iniciativa transformá-lo num bilionário. Primeiro vieram os primeiros patrocinadores que capitalizaram esta exposição planetária, logo em seguida as grandes marcas mundiais de fabricantes de automóveis, que já estavam lá, mas apenas como fornecedores de engenharia, não como ‘players’ comerciais. Vai difundir sua nova marca mundial de cigarros? Fórmula 1 era a resposta.

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O auge veio nas décadas de 80 e 90 com vários pilotos elevados a personalidades mundiais, como se fossem atores de Hollywood.

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Mas o mundo mudou. A F1 perdeu identidade e espaço, pois insistia em se manter fechada à nova maneira do ser humano em consumir informação e entretenimento. Assim como a gigante da fotografia KODAK que não acreditou que os pixels da fotografia digital iriam matar sua fórmula química de sucesso, a F1 virou as costas para o mundo digital. Erros estratégicos no comando de grandes empreendimentos, geram grandes perdas, proporcionais ao tamanho do negócio. E Bernie Ecclestone caiu exatamente por ainda estar fiel à sua antiga virtude em proteger excessivamente os direitos de imagem da categoria, considerando até alguns posts no YouTube como pirataria. A filosofia do Liberty Media, nova controladora dos direitos comerciais da categoria é exatamente oposta à de Bernie. A Fórmula 1 precisa urgentemente renovar seus fãs, atrair os jovens, pois pesquisas mostram um inexorável e perigoso envelhecimento de seus seguidores. E a chave para abrir esta porta é penetrar na realidade virtual do público jovem para reciclar seus consumidores. A receita é uma superexposição nas mídias sociais e ganhar dinheiro com os frutos desse universo, ao invés de evitá-lo.

Bernie Ecclestone foi afastado pelos investidores americanos do Liberty Media porque sua filosofia era centralizadora e conservadora. Portanto, não será apenas a mudança do regulamento, das dimensões de asas e pneus que farão a Fórmula 1 muito diferente em 2017…

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