Em 2008, discretamente, a Tesla fabricava esportivos elétricos e dizia a quem quisesse ouvir, que o plano era um dia acabar com os motores à combustão. Eles acabaram de promover o mais exitoso lançamento de um carro na história; os incrédulos pararam de rir.

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O texano Russ Burger é como você ou eu. “Sou um cara dos carros, dirigi vários BMW. Meu primeiro carro foi um Lotus Elan”.

Mas em 2013 Burger comprou um Tesla. “Um P85 Model S. Foi um divisor de águas – por que eu voltaria a um carro que queima gasolina? Nunca mais veria pingos de óleo na garagem, ou seria assaltado a cada revisão. Por que eu voltaria para um carro mais lento e barulhento?

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Burger foi um dos pioneiros, comprou o seu Model S menos de um ano depois de seu lançamento. (O primeiro Tesla foi um roadster elétrico construído sobre um levíssimo chassi Lotus de alumínio). O SUV Model X, lançado no ano passado não é para ele – “Muito grande, não preciso desse espaço todo”. Mas ele teve dois Model 3 e converteu-se num influenciador. A Tesla tem tudo a ver com os carros que fabrica e com sua posição no mercado.

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Mas a Tesla não está contente com os 80 mil carros anuais e quer muito mais clientes entusiasmados. O CEO Elon Musk afirma e reafirma que o objetivo é não menos que “fazer a transição do mundo ao transporte sustentável”. Ou o banimento da história dos carros com motores a explosão.

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“É realmente o fim de uma era – pura motivação para nós”, afirma Jon McNeill, presidente mundial de vendas e assistência da Tesla, com convicção. “O mercado mundial de carros é de 90 milhões de unidades. No ano passado nós vendemos 50 mil unidades, portanto, temos uma longa jornada pela frente, e é isso que motiva os fundadores, Elon e JB (Jeffrey Brian Straubel) a pensarem em carros elétricos num mundo onde ninguém dava muita bola para o impacto ambiental causado sobre ele e sobre nós mesmos. As estatísticas estão aí: quando se olha para a América do Norte, Europa e Ásia, percebe-se que o número de mortes de câncer relacionadas a emissões dobra a cada ano, do que as causadas por acidentes automotivos”.

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“Queremos passar das 500 mil unidades”, avisa Musk. “Assim, provocaremos os fabricantes. A missão da Tesla é acelerar o advento do transporte sustentável. O fundamental da Tesla será avaliar o quanto aceleramos essa transição”.

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Em sua curta história, a Tesla já confundiu os analistas de mercado, estabelecendo-se como a Apple automotiva, irritando as montadoras, construindo sua própria infraestrutura de recarga rápida, abrindo sua própria fábrica de baterias monolíticas, embarcando tecnologia semiautônoma e apresentando um sedan de sete lugares que vai de 0 a 100 km/h em 2.8 s. E a fábrica da Tesla, na área da baía de São Francisco, é quem ditará as regras da história que virá a seguir.

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O estacionamento é grande  e está lotado. Sob um calor escaldante e um céu californiano sem nuvens, você percorre alamedas, atravessa seções, sobe rampas, como se estivesse na maquete preferida do arquiteto criativo, até chegar à recepção. O balcão abriga duas recepcionistas com cara fechada, mas, como deveria ser numa empresa que quer abolir os erros humanos, na Tesla Factory você faz o cadastro num computador: um toque impessoal.

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Entre e o que você vê não é mais do que o esperado – linhas com organização hospitalar, funcionando em perfeita coreografia autônoma – mas surpreendentemente, além das áreas frias, sólidas, mecânicas e sem a presença de humanoides, na Tesla Factory há lugar também para convivência, música e até bom humor. Num canto, uma fila de bombas de gasolina antigas anteveem a ida a um museu do século XX, que termina num Tesla Supercharger 100% independente da gasolina. Ao redor de cada AGV (Automated Guided Vehicle) que circula pelas redondezas, vê-se um rosto sorridente em baixo de um boné de baseball num carrinho de golfe que leva novos proprietários para uma visita à fábrica. Há vasos de flores, estacionamentos para bicicletas e as bebidas nas máquinas de autoatendimento são gratuitas.

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Originalmente aberta em 1984, a planta da fábrica recebeu o nome de NUMMI – New United Motor Vehicle Manufactoring Incorporated – e foi uma ‘joint-venture’ entre Toyota e General Motors. Localizada na área da baía, a 40 minutos do centro de São Francisco e a menos de 20 km do quartel general da Tesla em Palo Alto. A planta produziu cerca de 500 mil carros nos anos de pico, até chegar a recessão global. Em 2010 a Tesla, esperta, arrematou a área e um vasto inventário de equipamentos de manufatura e ferramental por uma pechincha (U$ 42 milhões, numa planta que valia U$ 1.2 bilhão). A produção limitada começou em 2015, quando a Tesla produziu 50 mil carros. Em 2016 o número saltou para 90 mil e no final de 2018 a ideia é estar produzindo 500 mil carros por ano.

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Qualquer traço da carrancuda atmosfera de 2010 se foi; erradicado com um enorme investimento, iluminação moderna, uma constelação de aberturas para iluminação natural e, em quase todas as superfícies, pintura branca, imaculada. Já faz tempo que as fábricas de carros mais se pareciam com catedrais lavadas com suor e graxa, a da Tesla está mais para um laboratório clínico, que absorve o calor e o brilho dos dias californianos. O ar-condicionado apenas refresca o local onde robôs desempenham suas funções. A nova área de pintura é capaz de finalizar até 10 mil carros por semana, mais do que a Tesla produz atualmente por mês. O CMM (Coordinate Measuring Machine) se destaca pela precisão nanométrica: operários vestem luvas térmicas, para que o calor de suas mãos não expanda os materiais manuseados e o local repousa sobre seus próprios alicerces, para que nenhum tremor, natural ou não, influencie o trabalho ali.

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Com 500 mil metros quadrados de área interna contraposta a outra de 2 km quadrados com pouco uso atualmente, percebe-se que os planos de expansão são audaciosos. Espaço não é problema. Muitos prédios estão vazios ou com uso que normalmente não acontece numa fábrica de carros: armazéns de peças, times de pesquisa e desenvolvimento trabalhando livres, quase sem burocracia (área casualmente chamada de Area 51 pelos funcionários da Tesla) e pista de teste e impacto de baixa velocidade, tudo sob o mesmo teto. Em breve eles se mudarão dali, abrindo espaço para a manufatura, com peças e componentes em regime ‘just-in-time’. Peças que não são fabricadas pela própria Tesla são poucas…

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