A versão GT3 de cada novo 911 é sempre a ferramenta perfeita para quem espera sempre por uma dose extra de adrenalina. Mas desta vez a AMG apresentou um antídoto à altura, o exótico GT R

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Autobahn! Finalmente estamos livres de limites de velocidade, de 80, 100, 120, para o ilimitado. Mas demora muito para termos uma faixa esquerda livre. A primeira chance no dia apareceu no retão da rodovia A92 entre Munique e o início da subida para a Floresta Negra. E quando a oportunidade apareceu, agarramo-la com as duas mãos.

Num ritmo mais normal, estas curvas de alta e retas seriam mais do que tranquilas, mas a 240 km/h, um olhar atento à estrada é mais que essencial. Os blocos de concreto que formam sua superfície já estão corroídos pelo tempo, milhões de caminhões passaram por aqui e deixaram seu legado, além de mudanças bruscas de angulação. Apesar da manhã calma e seca, a temperatura de um dígito demonstra que aderência pode vir a ser um problema em cima de pontes ainda úmidas pelo orvalho da noite, bem como em trechos sob a sombra das árvores.

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O GT3 está na frente, apesar dos condutores de ambos os carros viajarem em comboio. A pequena vantagem do GT3 é anulada rapidamente pelo AMG, principalmente por sua potência bem maior. Em poucas trocas de marcha, desde a palavra ‘vá’, até os 260 km/h, o Mercedes se mostra mais rápido que o Porsche, enquanto o condutor do 911, não muito atrás, se diverte com as explosões no escapamento a cada troca de marcha a 9.000 rpm.

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Aqui e agora, pilotando deste jeito, este dois esportivos de Stuttgart são quase a mesma coisa. Mas há mais diferenças do que similaridades entre eles. Ambos são cupês de tração traseira com sete marchas em câmbios de dupla embreagem. Porém, o Mercedes, com seu motor V8 biturbo montado na frente, tem 84 cv/24,4 kgfm de vantagem sobre o Porsche; que por sua vez, com seu motor de seis cilindros contrapostos, aspirado e traseiro, é mais curto e leve.

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Com o tempo parece que o AMG quer ser dois carros em um. Em modo Comfort, com a transmissão em Drive, ele se transforma num descontraído GT com as garras recolhidas e olhos de LED semiabertos. Em modo Sport ou principalmente em Sport Plus, assume outra identidade, com manobras drásticas controladas pelo acelerador e terremotos acústicos que vêm em ondas.

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É algo singular. Assim como o GT3, especialmente em estradas sinuosas, que ataca com verve. Em baixo de sua carroceria sensual, um batalhão de alta tecnologia trabalha freneticamente, operando milhares de milagres por segundo, atuando nas rodas traseiras direcionais, amortecedores ajustáveis, nos enormes pneus, montagem ativa do motor e eletrônica sofisticada embarcada num conjunto dinâmico admirável.

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Para checarmos o que mais ele é capaz de fazer, e para o compararmos frente a frente com o AMG, claramente nascido para invadir o território da Porsche, traçamos um itinerário de 48 horas que inclui retas de aceleração máxima por longos períodos, mas também estradas austríacas secundárias e tortuosas, passagem por cidades pequenas, até chegarmos ao autódromo de Wachauring, próximo a Melk.

Quando nós comparamos o primeiro AMG GT S com o Carrera GTS, a agilidade do Porsche selou o resultado da avaliação a favor do modelo do Sul de Stuttgart. Três anos depois, estamos aqui com os mesmos representantes, mas dessa vez com um Benz muito mais ‘malvado’ e com muito mais sob seu longo capô, o que explica suas vitórias nas retas da Autobahn – há muito mais ‘pegada’ do que antes. Sempre que aparece uma reta, o Mercedes recupera o que perdeu nas curvas.

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Um boxer 6 cil. aspirado ou um V8 biturbo? Com limite de 9.000 rpm, o motor 4.0 litros da Porsche precisa de 8.250 rpm para entregar sua potência máxima e 6.000 para o pico de torque. Apesar de ter ganho 25 cv e 2,07 kgfm extras em relação ao modelo anterior, 493 cv e 46,8 kgfm não são páreo para os 577 cv e 71,3 kgfm do modelo do Norte de Stuttgart. Já que a versão manual perde meio segundo em relação ao carro de apenas dois pedais, escolhemos um com câmbio opcional PDK para este comparativo. São 3.4 s contra 3.6 de vantagem para o 911, mas sem olhar o cronômetro, a impressão é de que o Mercedes é mais rápido.

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Quando rumamos a leste atravessando Viena, acompanhando o curso do Rio Danúbio numa série de diferentes estradas, as características de cada carro se destacam. O GT R é mais GT do que R; o GT3 é mais R do que GT. Apesar de sua suspensão um pouco mais complacente, o Porsche tem dificuldade em relaxar, baixar giros. No entanto, é totalmente comprometido o tempo todo, com ronco másculo que vem debaixo de seus enormes arcos de roda que acentuam sua agressividade.

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Nas subidas de serra próximas a Viena, longe do tráfego da cidade, avaliamos cada setor destes belos esportivos. Tração? Vantagem para o Porsche, que consegue transferir todo o peso e energia para o piso o tempo todo. Contorno? Decisão difícil, pelo menos no seco e em estradas normais, fica fácil errar no julgamento. Fôlego em médios regimes? Vantagem para o GT R. O pico de torque, com faixa entre 1.900 e 5.500 rpm é mais do que suficiente para superar o Porsche, que necessita de 2.000 rpm extras para cumprir a mesma tarefa…

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