Mais uma vez as 24 Horas de Spa-Francorchamps mostram ao mundo que gasolina queimando ainda é a essência do automobilismo

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Por favor, não nos julgue como inimigos do planeta ou das novas tecnologias, nada disso, adoramos as novidades, assim como um bom câmbio manual, tração traseira e motores aspirados. Mas não é por causa disso que não curtimos uma boa caixa de dupla embreagem, turbinas, tecnologias híbridas e combustíveis alternativos. O que queremos passar é que tudo na vida passa, e prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém. Como você acabou de ler na matéria da Fórmula E (pag. ?), a migração de montadoras para a categoria de monopostos elétricos provocou um ‘frisson’ nos bastidores do automobilismo, bem como o exagero comum aos dias de hoje, de comunicação rápida, editável e descartável. Profetas do apocalipse já decretaram que o automobilismo vai acabar do jeito que é, que ‘nada será como era antes’. Calma pessoal, calma.

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s5Este estado de pânico momentâneo foi alimentado não só pelo anúncio das três gigantes alemãs – Audi, Porsche e Mercedes – confirmadas na Fórmula E, mas pela coincidência da saída delas do WEC, de onde a Audi já se retirou recentemente, da Porsche que fará o mesmo no fim deste ano e da Mercedes que abandonará o tradicionalíssimo DTM alemão. Pois eu digo a vocês, nada será radicalmente mudado no esporte, o que virá por aí será uma adaptação às novas tecnologias, que se desenvolvem cada vez mais rapidamente, só isso. Se depois de décadas usando o telégrafo, nossos queixos caíram com a chegada do fax, os mesmos queixos caíram de novo logo depois, com a popularização da internet. Com as novas tecnologias híbridas e sustentáveis nos carros é a mesmíssima coisa, basta ver que até hoje ninguém conseguiu afirmar com certeza qual delas será adotada, com cada fabricante defendendo suas ideias e soluções. Nota do editor: Lembram-se de quantos anos levamos para decidir qual era a melhor tecnologia para assistir filmes em casa, Beta ou VHS? Tudo vem, tudo passa…

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Enquanto os pessimistas decretam o fim das categorias tradicionais, como WEC e DTM, as 24 Horas de Spa-Francorchamps novamente nos deram um ‘choque’ de realidade. Há que se dizer também, que regulamentos mal escritos decretam mais o fim de categorias do que as tendências tecnológicas em moda. O que a FIA permitiu que fosse feito com o regulamento da classe LMP1 do WEC – com a conivência das montadoras e promotores – foi a sentença de morte dela. Com protótipos embarcando intrincadas e sofisticadas tecnologias híbridas, os custos explodiram e aí assistimos novamente a mais antiga ciranda do automobilismo, na qual a engenharia e o marketing das montadoras só entram se puderem mostrar seus reais potenciais, mas quando a turma das finanças se depara com os números, passa a tesoura. É cíclico. Categorias como o DTM, por exemplo, sofrem de uma síndrome muito comum nesse esporte, a síndrome de quem é melhor, mais rápido, mais importante. Quando dão mais importância a isso do que ao que os fãs desejam, padecem. O regulamento do DTM, apesar de quase standard para os participantes (na verdade é um silhuete), dá muita margem a desenvolvimento e aí é que a turma das finanças entra em ação, e foi o que aconteceu na Mercedes. Na LMP1 foi a mesma coisa. Deixar regulamentos serem decididos por cartolas é morte certa. A FIA tem uma louvável iniciativa de propor novas tecnologias e de segurança veicular, mas enfiar isso goela abaixo através dos regulamentos é fazer festa com o dinheiro alheio, e ele, como sabemos, não aguenta desaforos.

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Automobilismo é paixão pela velocidade, pelo ronco dos motores, pela simpatia por uma marca, por um ídolo. Automobilismo é ter um Uno na garagem e torcer para uma Ferrari, pois ela no fundo é um Fiat. O que a Fórmula E está fazendo é notável, fantástico, mas não será capaz de mudar os fundamentos do esporte.

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s4As competições que mais crescem em popularidade e audiência são as de GT. Por que? Simples. Carros GT são derivados de modelos normais de produção, seguem regulamentos que os mantém com boa parte da originalidade inalterada, reduzindo drasticamente os custos de desenvolvimento. Todos os grandes fabricantes têm programas destinados a clientes no automobilismo, o acesso é fácil, por isso o sucesso crescente em todo mundo. Recentemente o grande maestro das corridas de GT no mundo, o francês Stephane Ratel, fez uma palestra para mostrar o planejamento e o futuro das corridas de GT nos próximos anos. Ele que é responsável pelo maior campeonato de GT do mundo, o Blancpain GT Series, é também o promotor das 24 Horas de Spa, do Blancpain GT Series Asia, do Campeonato Inglês de GT, do Blancpain Sports Club, do Ultracar GT1 Sports Club, dos Europeus Northern e Southern de GT4, do International GT Challenge, com corridas em quase todos os continentes, definiu a linha de desenvolvimentos de seus eventos: “Quase nada de mudanças, regulamentos estáveis e abertura de novas frentes pelo mundo”. O recado está dado…

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