Provas de Endurance cada vez mais caem no gosto dos fãs

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O que há em comum entre a Mogi Mirim, no interior do Estado de São Paulo, Goiânia, capital de Goiás e a cidadezinha de Braselton, no interior do Estado da Geórgia nos Estados Unidos? Simples de responder: em todas elas, homens e máquinas foram colocados à prova à exaustão recentemente, em confrontos aonde não apenas velocidade basta, ou confiabilidade, ou estratégia; na verdade, ou se conjuga tudo isso à perfeição, ou nada feito.

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s9Falamos de um tipo de automobilismo diferente, que não invade nossas telas de TV com a mesma assiduidade de corridas ‘sprint’ de turismo ou monopostos, comumente formatadas exatamente para as transmissões de TV. Algumas acabam até pendendo mais para o lado do show do que do esporte, adotando artificialismos para prender a atenção do telespectador e tentar fidelizar os fãs junto a seus ídolos. Asas móveis, botões de ultrapassagem, pneus de diferentes compostos na mesma corrida, ‘safety-cars’ desnecessários, enfim, já se viu de tudo para deixar as corridas mais atraentes.

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Mas há um tipo de competição que resistiu imune à maioria desses artifícios e segue seu rumo, as corridas de resistência, conhecidas como corridas de Endurance. O próprio nome já diz, Endurance, no dicionário, é traduzido como “ato, qualidade ou o poder de suportar dificuldades ou estresse; maratona; prova a resistência; estado ou o fato de perseverar”. Não precisa explicar mais, resistência e perseverança definem as corridas de Endurance.

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s5Ninguém tem o registro exato de quando começou o automobilismo, mas dizem as línguas mais afiadas que ele teve início quando o segundo carro foi construído. Bastou ver outro motorista com uma máquina semelhante para que os dois disputassem para ver quem chegava antes, cena, por sinal, muito comum no trânsito das grandes cidades até hoje, onde a primazia de parar antes no próximo semáforo é disputada como se um valioso troféu estivesse em jogo. Porém, se a origem do automobilismo ainda é um fato incerto, uma desconfiança parece ter muito nexo: a de que as disputas começaram com provas de resistência. Quem aí gosta da Nascar? Aqueles guerreiros se digladiando em círculos, para ver quem alcança o pote de ouro depois de uma longa batalha, na qual vários sucumbem pelo caminho. Pois é, as mais longínquas raízes da Nascar remontam aos tempos da Lei Seca nos EUA, quando os contrabandistas de bebida precisavam escapar das perseguições policiais e para isso preparavam seus carros que precisavam ser mais rápidos que os da Polícia, mas não podiam quebrar. Nada mais ‘endurance’ do que isso, não acham?

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s10Sabem que tipo de corrida foi a primeira a ser disputada no Autódromo José Carlos Pace, nossa mais tradicional pista de corridas, no bairro de Interlagos? A história é fascinante e começa com a fundação da Auto-Estradas S/A, em 1927, pelo empreendedor britânico Louis Romero Sanson, cuja intenção era construir uma estrada pavimentada que ligasse São Paulo à distante Santo Amaro, na época município, intenção que cresceu para o Projeto Interlagos, que incluía as avenidas Washington Luís e Interlagos, uma pista de pouso (que se tornaria Congonhas) e a Cidade Satélite de Interlagos, ambicioso empreendimento imobiliário, no qual se incluía um autódromo. Pois é, e para promover o negócio e atrair compradores, além da promessa de uma praia artificial, comércio e até o luxuoso Grande Hotel de Interlagos, a beira da “praia”, que recebeu até areia retirada das praias de Santos.

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A principal corrida do evento de inauguração do Autódromo de Interlagos foram os 200 Km de Interlagos em 1º de maio de 1940, pois é, uma prova de Endurance, em pleno início da II Guerra Mundial, que atrapalharia bastante os planos da Auto-Estradas. Porém, a primeira década de Interlagos é tida como perdida: “Ir para Interlagos era uma novela, pagava-se pedágio de mil e poucos Réis para se cruzar a ponte”, como afirmou o “Barão” Wilson Fittipaldi, pai de Wilson, Emerson e avô de Christian Fittipaldi. “Aquilo era meio abandonado, eu chamava Interlagos de ‘uma estradinha asfaltada no meio do mato’ aquilo não era pista”, completou. O ano de 1951 sim, foi um marco para Interlagos, pois foi quando aconteceu a primeira grande prova importante mesmo por lá, as 24 Horas de Interlagos, precisa dizer? Endurance, claro.

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s1E foi esta mesma palavra: Endurance, que ligou Mogi Guaçu, Goiânia e Braselton. Corridas de Endurance, talvez junto do rally, é o tipo mais raiz de automobilismo, onde as origens do automobilismo são lembradas. No Brasil vêm sendo deixadas de lado há muito tempo. Na esteira das 24 Horas de Interlagos, o “Barão” Fittipaldi trouxe para o Brasil, em 1956, as Mil Milhas Brasileiras, inspiradas na Mille Miglia italiana. 1000 Km de Brasília, 12 Horas de Goiânia, 12 Horas de Tarumã, 500 Milhas de Londrina, Cascavel de Ouro, enfim, o que nunca faltou no Brasil foram corridas de Endurance, em compensação a gestão delas… Das citadas, as 12 Horas de Tarumã estavam esquecidas, mas foram revividas em 1986, Brasília nem autódromo tem mais, as 12 Horas de Goiânia estão adormecidas, Cascavel de Ouro foi revivida recentemente também, e as Mil Milhas, que lástima, sumiu pelo ralo de uma briga jurídica envolvendo seus direitos de uso.

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Depois de anos de decisões erradas por parte dos dirigentes (que não são promotores) e de ‘salvadores da pátria’ que não salvaram nada, coube aos gaúchos, onde se faz automobilismo com paixão, dar jeito num regulamento que vem dando certo e promovendo o crescimento da modalidade. A adormecida indústria de protótipos voltou à ativa e a classe GT, que já conta com modelos Porsche, entre outros, ganhará um Aston Martin em 2018. E a marca alemã, especialista em fazer carros vencedores, rápidos e duráveis, aproveitou o momento para lançar seu próprio calendário Endurance, paralelo às disputas da Porsche Cup no Brasil com calendário composto de três provas este ano. E como no Endurance vencer é importante, obviamente, mas ser constante também pesa s13muito, a dupla Miguel Paludo e Beto Gresse têm demonstrado nessa temporada da Endurance Series da Porsche Império GT3 Cup que a constância é ainda mais crucial na disputa pelo título. Afinal, mesmo sem chegarem ao lugar mais alto do pódio após as duas primeiras etapas, eles lideram o campeonato na classe Cup. A dupla iniciou o torneio de longa duração com o segundo lugar no Velo Città, em Mogi Guaçu, onde a série Endurance começou e um quinto lugar em Goiânia. Resultado: liderança do campeonato, com 106 pontos, dois a mais do que Lico Kaesemodel e Ricardo Zonta (com 104, cada) da Equipe Shell e cinco de vantagem para Sérgio Jimenez (101). O curioso é que os três adversários triunfaram no ano. Dividida em duas classes, Cup e Challenge, nessa última a marca principal também é o equilíbrio. A diferença é que os líderes do campeonato até o momento, Alan Hellmeister e Luca Seripieri, já triunfaram na temporada, justamente na etapa de Goiânia. E este equilíbrio é certeza de emoção na etapa final, os 500 Km de Interlagos no encerramento do campeonato de longa duração.

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s2Corridas de Endurance chamam tanto a atenção que montadoras e patrocinadores investem alto nelas. Além da Porsche, um exemplo é a HERO Motorsports, que preparou um time forte para a disputa do Campeonato de Endurance da Porsche Cup em 2017. Com três duplas, a HERO Motorsport inscreveu na disputa seu piloto oficial do Campeonato Brasileiro de Stock Car, Betinho Valério, que terá como parceiro na condução do Porsche 911 GT3 Cup o piloto Marcus Vario. Este ítalo-panamenho participou da sua primeira prova na categoria de acesso Porsche GT3 Challenge, em 2016, justamente na Endurance Series. Mais tarde, na preliminar do GP Brasil de Fórmula 1, Marcus surpreendeu a todos com uma vitória inquestionável. Em 2017, Vario passou a disputar a primeira temporada completa na divisão Challenge, na qual recebeu o apelido de “Magic Vario”. Outra dupla formada pela HERO Motorsport conta com ninguém menos que o atual campeão da Stock Car, Felipe Fraga. Ele tem como parceiro o piloto JP Mauro, que, já em sua estreia na divisão de acesso Challenge cravou uma pole e liderou a corrida de Interlagos. No ano seguinte, seria campeão antecipado da Porsche Challenge. Apoiado pela Hero em 2017, o atual campeão brasileiro de Marcas, Nonô Figueiredo faz parceria com Beto Leite no terceiro Porsche 911 do time.

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E Braselton nos EUA, como entra nessa história? Pois é, na pista de Road Atlanta foi disputada a Petit Le Mans, 12ª e última etapa do IMSA WeatherTech SportsCar Championship, principal competição de Endurance dos EUA. E o que não faltou foi brasileiro na disputa. De cara o brasileiro Hélio Castroneves cravou a pole-position na estreia da Equipe Penske na série, em parceria com o colombiano Juan Pablo Montoya e com o francês Simon Pagenaud. A Penske já chegou mostrando suas credenciais para a temporada 2018: pole e terceiro lugar na classificação geral. O trio melhor classificado depois de 10 horas de competição foi o composto por Brendon Hartley/Ryan Dalziel e Scott Sharp da Equipe Tequila Patrón, mesma dos brasileiros Pipo Derani/Bruno Senna e a Johanes Van Overbeek, que caminhava para uma vitória certa, quando foram penalizados pelos comissários por suposta manobra perigosa, quando Derani realizava uma ultrapassagem sobre um carro da GT. Mesmo assim o trio ficou com o quarto posto. O neto do “Barão”, Christian Fittipaldi, ficou com a quinta colocação em parceria com os portugueses João Barbosa e Filipe Albuquerque, mas a trinca sagrou-se campeã do Norte Americano de Endurance, composto pelas quatro provas longas da temporada (Daytona, Sebring, Watkins Glen e Petit Le Mans). Foi o quarto título de Christian na categoria que garantiu também a terceira posição na classificação geral. Na GTLM, título para a Corvette e na GTD, o triunfo foi da Ferrari…

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