Permita que o Frank van Meel da Divisão M neutralize seus temores – longe de acabar com o M5, a tração integral trouxe novas nuances a ele.

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Fora o fato de ter inventado os modernos sedãs esportivos, a Divisão M da BMW se viu num terreno pantanoso com o M5 F10 de 2011. Carros anteriores eram marcados por direção sem vida e falta de caráter desde o primeiro grande M adotar a turbo-alimentação. Seus maiores rivais – liderados pelo E63 AMG W212 – vieram muito bem preparados para a guerra. Algumas modificações que vieram depois e o Competition Pack trouxeram parte de suas qualidades, mas o M5 ainda não justificava as glórias do passado. Alguma coisa séria precisava ser feita. O carro que você vê aqui, o M5 F90, é esta coisa.

Se você está pensando em adquirir o maior e mais importante sedã esportivo do mundo, saiba que seus materiais em nada lembram os atuais Série 5. A geração G30 é um passo enorme em relação ao F10, com sua combinação de alumínio, magnésio e aço de alta resistência. Planejado com foco total no condutor, ele é muito melhor, a não ser o motor que mudou pouco. Porém, mais importante, as fundações do G30 derivadas da nova plataforma CLAR (Cluster Arquiteture) da BMW estão prontas para receber a tração integral xDrive, permitindo que a Divisão M faça uma revolução em seus fundamentos históricos.

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Pânico? Não, calma. Dois eixos com tração trazem com eles as vantagens de arrancadas vigorosas e muito mais estabilidade em pisos escorregadios. Evidentemente há uma redução do sobresterço, peso extra e direção sem vida, mas vamos tentar nos manter calmos…

“Tração integral não foi a decisão mais difícil a ser tomada”, explicou Frank van Meel, diretor da Divisão M. “Construímos um protótipo para desenvolvimento e pela primeira vez tivemos um sistema xDrive que entregava o melhor de dois mundos. Essencialmente, adicionamos a opção da tração dianteira prioritária sobre a traseira, com o ‘software’ decidindo como e quando as rodas dianteiras seriam as motrizes. Desde o início, a forma com que o carro se comportou foi especial, com muito mais tração. A decisão foi bem fácil de ser tomada.

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No início deixamos nossas opções abertas – ainda decidíamos sobre tração traseira ou xDrive – mas depois de dirigirmos o sistema xDrive desenvolvido pela M, percebemos que não havia mais necessidade apenas de tração traseira”. O caminho estava aberto para uma nova criação da Divisão M que mexeria com suas mais antigas crenças.

No novo M5, o sistema xDrive trabalha com um diferencial M ativo e com programa exclusivo que controla a integração entre os dois. Melhor ainda, graças às opções de divisão de torque entre frente e traseira, o modo de condução M Dynamic ganhou muita influência sobre o comportamento do carro do que nos modelos M prévios. Sabemos disso porque dirigimos o protótipo. Começamos com a configuração mais conservadora, com o controle de estabilidade em alerta máximo, torque preferencialmente direcionado às rodas traseiras e tirando o pé ao menor sinal de derrapagem.

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“Com a combinação da potência e tração traseira, estávamos muito próximos da versatilidade tradicional do M5”, explica van Meel. “Você tinha que ser um especialista se as condições de tempo não fossem as ideais e veria as luzes do controle de estabilidade e tração piscando freneticamente o tempo todo, enquanto seu desempenho se tornava pífio. Assim, para dar melhor desempenho em qualquer situação, optamos pela tração integral. Esta foi uma das principais razões. Agora, qualquer um que dirige o carro sai impressionado”.
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Engate o sistema desejado através do seletor M Dynamic e você terá escolhas a fazer; o modo 4WD Sport significa menor tração nas rodas dianteiras com o controle de estabilidade atuando bem pouco, proporcionando a possibilidade de derrapagens controladas, com um pouco de potência ainda enviada ao eixo dianteiro para manter o carro apontado na direção certa.

E há também um programa que reverencia os velhos tempos, para aqueles que dizem que um verdadeiro M jamais terá tração integral e reconhecem que jamais sairiam com o carro antes de selecionar tração apenas em duas rodas, ignorando a recomendação da BMW que esta opção deve ser utilizada apenas em circuitos fechados.

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Mas eles talvez mudem de ideia quando perceberem que os pneus 285/30 de 20 pol. esfarelarão ao lidar sozinhos com os 76,4 kgfm de torque. Mesmo assim van Meel insiste que o programa “herói” deve estar disponível.

“Começamos com um carro de tração traseira e adicionamos o sistema integral em situações em que ele se fazia necessário. A psicologia do jogo era de que teríamos que acreditar que tração integral era apenas um detalhe. Um xDrive na verdade é um tração traseira, só que com mais tração. Oferecemos este modo espetacular àqueles que o queriam, para aqueles que desejavam fazer ‘drifts’ e tatuar ‘donuts’ sobre o asfalto. Se você quiser utilizar a tração 4×2, terá que desligar o controle de estabilidade, porque se deixá-lo ligado, teria a intervenção do sistema o tempo todo. Assim você conseguirá fazer as derrapagens que desejar. Você pode deixar o DSC desligado e ainda selecionar se quer tração integral 4WD, 4WD Sport e 2WD também. Acho que contentamos todo mundo”.

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Não houve grandes mudanças na motorização. Basicamente ele é o mesmo V8 biturbo do F10, mas a unidade S63B44T4 atual foi retrabalhada para diferenciar-se da anterior. As duas turbinas têm nova especificação para entregar melhores respostas, enquanto os dutos que as alimentam foram redesenhados para melhoria do fluxo. As pressões de injeção subiram para 350 bar para proporcionar tempos de injeção mais curtos, melhorando a eficiência e resposta.

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Características esportivas e de uso em autódromo ficam evidentes através do sistema de resfriamento de óleo e água, que estão mais eficientes e leves que antes. Mesmo em curvas de alta velocidade com aceleração lateral enorme, não haverá problemas de falta de lubrificação. Seus 591 cv são os mesmos do F10 30 Jahre, mas os 76,4 kgfm de torque fazem deste o M5 mais radical de todos os tempos. Um novo sistema de exaustão com borboletas eletrônicas proporciona o ronco peculiar a cada programa de condução selecionado, podendo silenciá-lo com um toque num botão.

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