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Equipes usam pneus até o limite e apimentam GP da Inglaterra: Hamilton quase perde vitória certa em Silverstone

Três últimas voltas têm sequência de estouros do mesmo pneu, o dianteiro esquerdo - tanto Hamilton quanto Bottas tiveram o problema, assim como Sainz.

RaceCar

A tática arriscada de muitas equipes em forçar o limite de 34 voltas sugerido pela Pirelli para o uso dos pneus fez com que o GP da Inglaterra virasse um caos nas voltas finais, quase tirando de Lewis Hamilton uma vitória que seria um pecado se isso acontecesse. Tendo parado na volta 19 para fazer seu pit stop obrigatório, Hamilton entrou na volta final no fio da navalha, com seu pneu abrindo a 33ª volta e com o gráfico da TV mostrando que a autonomia era de apenas dez por cento.

Da volta 19 até a 50, Hamilton andou no limite, sendo raríssimas as vezes em que ele fazia uma volta acima de 1min29s. Porém, os sinais dados por Valtteri Bottas e Carlos Sainz, que tiveram os mesmíssimos pneus estourados, fizeram Hamilton tirar levemente o pé, rodando as voltas 50 e 51 apenas dois segundos mais lento. O que foi a senha para o pneu dianteiro esquerdo, extremamente exigido nas curvas de alta velocidade de Silverstone, abrisse o bico e o fizesse percorrer 80% do circuito praticamente em três rodas.

A grande sorte de Hamilton foi o fato de Max Verstappen ter sido bem mais cauteloso e parado nos boxes na volta 50. Pela enorme vantagem que tinha sobre Charles Leclerc, Verstappen entrou nos boxes para tentar marcar a melhor volta em seguida com sapatos novos (o que acabou acontecendo pelas circunstâncias. Se Max não tivesse parado, provavelmente ele teria vencido a prova. No fim, diferença que era de 29s no início da volta final, foi de apenas 5s856 na bandeirada.

O mais curioso disso tudo foi o fato de a Pirelli ter escolhido os pneus mais duráveis para a primeira das duas provas seguidas em Silverstone. Na corrida da semana que vem, teremos compostos mais macios, o que certamente provocará estratégias de dois a três pit stops. Ou seja: teremos mais emoções à vista daqui alguns dias, quando serão comemorados os 70 anos da Fórmula 1.

Terceiro lugar na corrida, Charles Leclerc somou seu segundo pódio na base da oportunidade e constância com a Ferrari, enquanto seu companheiro de equipe, Sebastian Vettel, segue mostrando apatia, terminando em décimo graças aos furos de Bottas e Sainz, que chegaram atrás dele em 11º e 13º. Não fosse isso, o tetracampeão teria amargado um 12º lugar. Afinal, o que está acontecendo com ele?

Com todo o caos, Daniel Ricciardo somou seu melhor resultado com a Renault no quarto lugar, duas posições à frente do parceiro Esteban Ocon. Entre eles, Lando Norris, na combativa McLaren. Os dois, juntamente com Sainz, travaram uma disputa bastante interessante até o espanhol ter o estouro no pneu.

Pierre Gasly foi outra boa surpresa, pontuando novamente em sétimo, superando o Red Bull de Alex Albon, em outra performance abaixo da média, e Lance Stroll, cuja Racing Point caiu de rendimento dramaticamente no terço final de corrida, o que não minimiza sua boa corrida – ao contrário do seu parceiro interino, Nico Hulkenberg: seu carro quebrou antes mesmo de ele alinhar no grid.

A corrida foi marcada também pelo show de fechadas de Romain Grosjean – a TV mostrou pelo menos três disputas onde o francês foi demasiadamente agressivo – e por dois acidentes, algo que também anda sendo raro: Daniil Kvyat bateu forte e descontou no cinegrafista, enquanto Kevin Magnussen errou na sequência de curvas finais e tentou fechar Albon, levando a pior.

Com a sorte do seu lado, Hamilton disparou no campeonato com 88 pontos, 30 a mais que Bottas, enquanto Verstappen sente as consequências de ter abandonado a primeira prova do ano em terceiro, com 52. Entre as equipes, a Mercedes tem praticamente o dobro de pontos da Red Bull: 146 contra 78. Os resultados completos se encontram após as aspas dos pilotos.

O QUE ELES DISSERAM

Lewis Hamilton: “Nas últimas voltas eu comecei a perder ritmo e aí, na última volta, estourou de vez. Fiquei ali com o coração na boca, eu quase não consegui fazer as últimas duas curvas. Até a última volta estava tranquilo, os pneus pareciam bem. O Valtteri fez uma corrida muito forte, eu estava cuidando dos pneus, achava que ele não estava, então, quando ele estourou um pneu, achei que não fosse acontecer comigo, que estivesse tudo bem. O carro estava normal, aí que começou, no finalzinho, a perder pressão. Acho que deveríamos ter parado.”

Max Verstappen: “Tive sorte e azar. Os pneus não pareciam bons com dez voltas para o fim, então estava monitorando com a equipe via rádio. Valtteri teve um pneu furado e avisei no rádio que ia recuar, aí me pararam para a volta mais rápida e infelizmente o Lewis teve um estouro de pneu. Estou feliz com segundo, é um bom resultado.”

Charles Leclerc: “Foi uma corrida muito difícil. Quando eu soube que Bottas tinha problemas com os pneus, diminui a velocidade imediatamente. Também aconteceu de Sainz e Hamilton terem pneus furados, então tivemos sorte.Tiramos o máximo proveito disso. Estou muito feliz com a forma em que consegui manter os pneus intactos e com o equilíbrio do carro. A velocidade ainda não está onde deveria estar, mas aproveitamos o que deu.”

Daniel Ricciardo: “Tivemos um início de corrida boa, eu consegui ganhar algumas posições na largada e estava bem próximo do Carlos, mas aí perdi o carro naquela disputa e com isso a posição para o Lando. Depois entrei em um trem de pilotos com o DRS ativado, o Grosjean na frente e desgastei um pouco os pneus ali. No fim, busquei a posição do Lando e vi o Carlos com problemas, o resto vocês já sabem. Cheguei perto do Leclerc no fim, mas não acho que ele estivesse com problemas, podemos ficar felizes com o que fizemos.”

Carlos Sainz: “Minha corrida teve duas metades. O começo foi de muita disputa, teve Safety Car e aí eu precisei ir para cima de um muito perigoso Romain Grosjean. Estava cuidando muito dos pneus durante a corrida, eu sabia que seria apertado para terminar comeles inteiros. E, bom, tão apertado que não deu, eu tive aquele furo. Em geral, acho que a sorte não está comigo nas primeiras provas do ano. Hoje nós perdemos muitos pontos, estou bem desapontado. Ao mesmo tempo, não posso ser tão duro comigo ou com o time, tudo ia muito bem até duas voltas antes do fim.”

Lando Norris: “Foi um final louco, sem dúvidas. Posso garantir que levar o carro até o fim não foi nada fácil. Após as intervenções do Safety Car no início, sabíamos que a parte final da corrida, com os pneus duros, seria bem longa e não faltariam dificuldades. Nesta pista, muita energia é descarregada no pneu dianteiro esquerdo e, como vimos, muitos pagaram caro por isso. Tive muita sorte de conseguir chegar com os pneus inteiros à bandeirada. O quinto lugar é bom, mas acho que a gente podia ter feito mais.”

Esteban Ocon: “O carro estava ótimo, especialmente com os pneus duros”, disse Ocon. “Eu percebi que o Lance estava meio lento e pensei que minha chance estava chegando. Cheguei e passei uma Racing Point, que é um carro mais rápido que o nosso desde o começo do ano. Foi uma grande satisfação. Houve muito trabalho desde o último GP, não ficamos felizes com Budapeste. Nós deixamos isso para trás hoje. O que podemos melhorar é a classificação para andar bem na corrida.”

Alexander Albon: “Foi uma corrida OK, por conta da punição. Foi meio a meio ali, o Kevin saiu da pista e tinha o espaço. Acho que ele não me viu ou a distância diminuiu muito rápida. Tentei escapar da fechada, mas foi tudo muito rápido. Tivemos as avarias, mas o ritmo durante a corrida não foi ruim. Tivemos de fazer muito neste fim de semana, oitavo não era o que queria, mas é redução de prejuízo.”

Sebastian Vettel: “O resultado foi ruim, mas o carro era muito difícil de pilotar, tive muitas dificuldades de encontrar confiança e não sei o motivo, então precisamos olhar isso. Se eu tive tantas dificuldades do começo ao fim, tem algo que não encaixa. Não foi uma corrida estressante, não tive uma chance, os caras ao meu redor eram mais rápidos, fui ultrapassado, foi difícil de ficar na pista.”

RESULTADO FINAL APÓS 52 VOLTAS

POS DRIVER CAR GAP
1 Lewis Hamilton Mercedes 1h28m01.283s
2 Max Verstappen Red Bull/Honda 5.856s
3 Charles Leclerc Ferrari 18.474s
4 Daniel Ricciardo Renault 19.650s
5 Lando Norris McLaren/Renault 22.277s
6 Esteban Ocon Renault 26.937s
7 Pierre Gasly AlphaTauri/Honda 31.188s
8 Alexander Albon Red Bull/Honda 32.670s
9 Lance Stroll Racing Point/Mercedes 37.311s
10 Sebastian Vettel Ferrari 41.857s
11 Valtteri Bottas Mercedes 42.167s
12 George Russell Williams/Mercedes 52.004s
13 Carlos Sainz Jr. McLaren/Renault 53.370s
14 Antonio Giovinazzi Alfa Romeo/Ferrari 54.205s
15 Nicholas Latifi Williams/Mercedes 54.549s
16 Romain Grosjean Haas/Ferrari 55.050s
17 Kimi Raikkonen Alfa Romeo/Ferrari 1 Lap
Daniil Kvyat AlphaTauri/Honda Accident
Kevin Magnussen Haas/Ferrari Collision
Nico Hulkenberg Racing Point/Mercedes Not started

DADOS DA CORRIDA

• Margem de vitória: 5.856s
• Na volta do vencedor: 16
• Líderes: 1 (Hamilton)
• Total de voltas dadas na corrida: 895 laps (90.6%), 5270 km
• Distância total completada no fim de semana: 2853 laps, 16804 km
• Top speed: 319.8 km/h (Hamilton)
• Safety car: 2 (10 voltas)

CAMPEONATO DE PILOTOS

1) Lewis Hamilton, 88 pontos
2) Valtteri Bottas, 58
3) Max Verstappen, 52
4) Lando Norris, 36
5) Charles Leclerc, 33
6) Alexander Albon, 26
7) Sergio Pérez, 22
8) Lance Stroll, 20
9) Daniel Ricciardo, 20
10) Carlos Sainz Jr., 15
11) Esteban Ocon, 12
12) Pierre Gasly, 12
13) Sebastian Vettel, 10
14) Antonio Giovinazzi, 2
15) Daniil Kvyat, 1
16) Kevin Magnussen, 1
17) Nicholas Latifi, 0
18) Kimi Räikkönen, 0
19) George Russell, 0
20) Romain Grosjean, 0
21) Nico Hülkenberg, 0

CAMPEONATO DE CONSTRUTORES

1) Mercedes, 146 pontos
2) Red Bull/Honda, 78
3) McLaren/Renault, 51
4) Ferrari, 43
5) Racing Point/Mercedes, 42
6) Renault, 32
7) AlphaTauri/Honda, 13
8) Alfa Romeo/Ferrari, 2
9) Haas/Ferrari, 1
10) Williams/Mercedes, 0

MAPA DA CORRIDA

Fonte: FORIX

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