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Assim como na F1, F2 abre temporada prometendo ser inesquecível

2021 começa com tudo na F2: novo formato de três corridas é aprovado, com pelo menos dez pilotos na briga, entre eles um brasileiro.

RaceCarFelipe Drugovich (Diederik van der Laan/Dutch Photo Agency)

Não foi só a F1 que voltou às pistas em 2021 prometendo o melhor campeonato dos últimos tempos: principal divisão de acesso, a F2 também começou pegando fogo, com novas regras, muitas disputas e um piloto brasileiro no meio do bolo em Felipe Drugovich.

A temporada iniciada no último fim de semana junto com o GP do Bahrein é a última da F2 com os atuais modelos antes da mudança de regulamento para ficar conectada ao da divisão rainha, uma vez que teremos alterações profundas nos carros. Mas essa, talvez, seja a única coisa que não mudou para este ano. Por aqui, por exemplo, a mudança mais interessante foi a troca do SporTV pelo BandSports, com direito a reprises e análises também no Show do Esporte da Band.

 

NOVO FORMATO DA F2 FUNCIONA BEM

 

Disputa intensa no Bahrein

Disputa intensa no Bahrein (F2/Divulgação)

Já a alteração mais profunda da F2 – e que gerou o maior número de elogios – foi a implementação de um novo formato com três corridas, algo que a F3 já costumava fazer. No começo é um pouco complicado, mas com o tempo fica simples entender o formato da classificação: a tomada de tempos vale para a Feature Race, a corrida principal, que passa a acontecer no domingo.

No sábado, por sua vez, acontecem duas Sprint Races, mais curtas: na primeira, o grid é formado pelo resultado da classificação, mas com os dez primeiros de forma invertida; já na segunda a ordem é determinada pelo resultado da prova anterior, com os dez primeiros também trocando de posições.

Na parte da pontuação, as duas primeiras provas têm o mesmo valor, com o vencedor levando 15 pontos e os oito melhores pontuando; já a do domingo são dez que pontuam e o ganhador recebe 25. No total, 65 pontos estão em jogo nos finais de semana da F2 a partir deste ano, fora os quatro pontos entregues ao pole position. Dentro da pista, este formato se mostrou um sucesso de público e crítica.

PARTICIPAÇÃO FORTE DOS TIMES DA F1 NA F2

 

O chinês Zhou, candidato principal a protagonista do ano

O chinês Zhou, candidato principal a protagonista do ano (F2/Divulgação)

No grid da F2, 50% de estreantes e 16 países diferentes representados, assim como cinco equipes de F1 através de seus programas de jovens pilotos: Ferrari (Robert Shwartzman e Marcus Armstrong), Alpine (Guanyu Zhou, Oscar Piastri e Christian Lundgaard), Red Bull (Jury Vips, Liam Lawson e Jehan Daruvala), Williams (Dan Ticktum e Roy Nissany) e Sauber (Theo Pourchaire).

LEIA TAMBÉM: CORRIDA ESPETACULAR E MANOBRA POLÊMICA DEFINEM O GP DO BAHREIN DE F1

Não é à toa que todos eles são protagonistas da temporada e ocupam as primeiras posições. Lawson, Piastri e Zhou, nesta ordem, venceram as corridas e Zhou saiu do Bahrein líder com 40 pontos, nove à frente de Lawson. Uma das poucas exceções de pilotos sem apoio de equipes de F1 (e de pouquíssima gente, no caso) nessa turma é justamente um piloto brasileiro.

 

DRUGO MOSTRA SUAS CREDENCIAIS

 

Felipe Drugovich (Diederik van der Laan / Dutch Photo Agency)

Felipe Drugovich e seu carro quase sem patrocínios (Diederik van der Laan / Dutch Photo Agency)

O Brasil será representado por três pilotos na F2 em Felipe Drugovich, Guilherme Samaia e Gianluca Petecof. Desconhecido do público até o ano passado, Drugovich impressionou em sua primeira temporada pela equipe MP Motorsport, fazendo uma pole e vencendo três corridas.

Isso chamou a atenção de um dos principais times do grid, a UniVirtuosi, que tem no chinês Guanyu Zhou sua maior força. No Bahrein, Zhou fez a pole e Drugovich ficou em terceiro. Na corrida 1, o brasileiro se deu mal em um incidente, perdendo o bico e sendo 16º; na segunda, chegou a pular de 16º para quarto em duas voltas, mas outro toque o fez cair para 14º.

Durante a corrida principal, largando em terceiro, chegou a liderar na volta inicial, mas uma estratégia ruim e um problema na carenagem o fizeram fechar o fim de semana nono. “Foi um final de semana complicado demais”, lamentou Felipe Drugovich.

“Acho que fizemos tudo certo, mas fatores externos e vários problemas complicaram tudo. Marquei apenas dois pontos em um final de semana em que era possível marcar pelo menos 30, mas, mesmo depois de uma jornada assim, tenho confiança de que vamos brigar por muitos pódios nesta temporada”, finalizou.

 

SAMAIA PERTO DOS PONTOS

 

Guilherme Samaia (Diederik van der Laan / Dutch Photo Agency)

Guilherme Samaia (Diederik van der Laan / Dutch Photo Agency)

Em seu segundo ano na categoria, Guilherme Samaia fez sua estreia pela equipe Charouz. Na primeira prova, quando estava em nono – o que lhe renderia o P2 no grid da corrida seguinte, o jogou para 11º. Na segunda corrida ele manteve a posição após perder tempo na largada desviando de um acidente entre Lundgaard e Ticktum. Sem ritmo de corrida na prova principal, ele fechou o fim de semana em 16º.

“Estou muito feliz com o grande avanço no fim de semana. Tivemos uma grande recuperação na corrida 1 depois de um qualy dificil. Na 2, tivemos uma largada animal pra oitavo, mas não dei sorte na primeira, onde fui jogado pra grama, caindo pra 17º e recuperando para 11º”, comenta.

“Já a Feature Race foi um pouco mais difícil para nós, não tínhamos muito ritmo e o SC também não nos ajudou. Mas, principalmente, estou muito feliz por estar de volta às corridas e voltando em forma. Nossa hora vai chegar, vamos lutar muito para melhorar nas próximas corridas”, completou Samaia.

 

ESTREIA AGITADA PARA PETECOF

 

Gianluca Petecof em sua estreia na F2 (F2/Divulgação)

Gianluca Petecof em sua estreia na F2 (F2/Divulgação)

Estreando neste fim de semana na F2, após ganhar a F4 regional em 2020, mas, ao mesmo tempo, perder seus principais apoios (Ferrari e Shell), Petecof teve um batismo de fogo no Bahrein. Após se colocar em 20º na classificação, ele teve dificuldades no motor na corrida 1 e foi 17º.

A segunda disputa do fim de semana foi mais interessante, com Petecof chegando a andar em décimo e terminando em 13º. na prova final, acabou abandonando quando seu extintor acabou acionado por acidente.

“Não podemos dizer que estamos satisfeitos, mas foi um grande passo para o time em relação ao ano pasado. Sabia que o importante era ganhar conhecimento e experiência, com várias situações acontecendo no fim de semana”, analisa Gianluca.

“Nossa corrida 2 foi o ponto alto do fim de semana, andando junto do piloto que venceu a corrida e chegamos perto dos dez. Precisamos agora continuar progredindo e evoluíndo. A equipe me apoiou demais nessa estreia e viremos mais fortes na próxima”, finalizou Petecof.

A próxima rodada tripla da F2 acontece nos dias 21 e 22 de maio, no Principado de Mônaco, que volta a receber a categoria.

 

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