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Felix da Costa: da injustiça à redenção

Manobra histórica no e-Prix de Mônaco volta a mostrar o quanto a F1 está perdendo sem ter António Felix da Costa no grid.

RaceCarFelix da Costa

Antonio Felix da Costa surgiu no automobilismo para quebrar a escrita de que piloto português nunca seria campeão mundial, por mais que ele use a modéstia.

Mesmo com todas as dificuldades na busca de seu maior sonho profissional, a F1, que não foi atingido e enterrado por quem devia ser sua maior apoiadora (a Red Bull), ele não abandonou o objetivo de ser o maior piloto português da história.

Ele não tem recorde de seguidores nas redes sociais, nem é chamado para fazer propagandas nem estrelar grandes programas, mas é essa simplicidade que faz de Felix da Costa um fenômeno: ao contrário de muitos nos dias atuais, que preferem lacrar nas redes, ele dá o seu recado na pista.

E, pode ter certeza, seus antigos apoiadores certamente devem ter no fim do acordo com o português um dos maiores erros de seu prestigiado (e dilacerador) programa de formação de pilotos.

Para corroborar esta ideia de que, se estivesse na F1, Max Verstappen não teria a vida tão fácil assim, separamos alguns momentos de brilhantismo do piloto português de apenas 29 anos (ainda dá tempo, equipes da F1…).

GP de Macau 2012

Na tradicionalíssima prova de F3, Da Costa tinha no grid rivais como Felix Rosenqvist, Alex Lynn, Pascar Wehrlein, Felipe Nasr, Pipo Derani, Carlos Sainz Jr., Daniel Abt, Alexander Sims e Jack Harvey, só para citar alguns. O fato de ele ter feito a pole, vencido e ter marcado a melhor volta, à frente de todos eles, diz o suficiente sobre essa conquista, que você pode ver na íntegra acima.

Stock Car 2018

Da Costa foi jogado numa fogueira de chama alta na Stock Car em 2018. Além de ter como companheiro um tal de Lucas di Grassi, ele disputou justamente a última etapa recente em um anel externo, em Goiânia. Mesmo apavorado (ele mesmo disse isso in off para algumas pessoas), ele foi lá e não só enfiou um P3 no grid, como na prova, também. Aliás, na Stock Car ele três duas corridas e três pódios: aproveitamento 100%. A atuação dele na Corrida do Milhão pode ser vista acima.

Formula E 2019/2020

Em um ano com oito vencedores diferentes em 11 provas, Da Costa se destacou a partir da quarta etapa. Uma regularidade impressionante no topo, abandonando em apenas duas corridas, e somando quase o dobro de pontos (158) para seus rivais mais próximos, os badalados Stoffel Vandoorne (87) e Jean-Eric Vergne (86). De tirar o chapéu.

e-Prix de Mônaco 2021

Talvez a cereja do bolo de toda a carreira do piloto português aconteceu no sábado em Mônaco, com uma manobra espetacular na chicane pós-tunel, na última volta, sobre o holandês Robin Frijns, deve ter feito Helmut Marko voltar a enxergar com os dois olhos. Enquanto o chefão da F1 o dispensou anos atrás e agora teve de contratar Sérgio Pérez, pois não tinha ninguém na fila capaz de andar bem na Red Bull, Da Costa está voando sem precisar de asas. Veja a manobra no vídeo acima.

Versatilidade

Nos últimos anos, após deixar o sonho da F1 em segundo plano, Da Costa focou nos maios variados tipos de categorias, sejam elas de fórmula ou turismo, com o objetivo de ser profissional aonde fosse possível, mandando bem e fazendo disso uma outra característica de seu brilhantismo como piloto. Isso o fez passar pela Stock Car, DTM, GT Open, ADAC GT, Blancpain GT e Sprint Series, IMSA e Le Mans. Isso tudo faz com que que Da Costa, antes mesmo de fazer 30 anos, seja um dos pilotos mais versáteis de sua geração.

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