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George Russell: aprendendo na pancada o quão cruel é a F1

Ao dar chilique na internet e tomar uma invertida mais forte que a batida em Ímola, Russell aprende que em boca fechada não entra mosquito.

RaceCar

A Fórmula 1 não é para amadores. Até na hora de jogar a culpa, você tem de ser esperto. E se ela não colar, ser mais esperto ainda para lidar com as consequências. O acidente entre Valtteri Bottas e George Russell é um desses pontos, pois o assunto se estendeu – e bem – para fora da pista.

E pudemos ver como você pode ser transformado de mocinho a bandido pelo próprio chefe após falar mais o que devia na hora errada.

No caso do acidente em si, Bottas estava mais lento que Russell, este de cano cheio de asa aberta. O finlandês mudou levemente seu carro de linha, Russell ficou sem espaço, pois a pista não é tão larga assim, pisou na grama, e o resto já sabemos.

 

A pancada não só assustou como a demora de Bottas ao sair do carro e ele aparentar estar bem atordoado. Mas, vamos aos fatos:

– Bottas desviou a linha de propósito?
– Russell foi afobado?
– Afinal, o que Bottas estava fazendo tão atrás?
– Uma Williams ultrapassando uma Mercedes desta forma? Como assim?

Olhando todo o cenário, tudo levaria a crer que a pressão maior desse incidente seria aplicada em Bottas por estar onde está com o carro que tem. Porém uma atitude mudou tudo.

A reação de Russell custou mais caro que a batida em si . E rendeu um dedinho do Bottas, reparem… (Reprodução de TV)

Aí vem a sequência, onde os dois discutem rispidamente, com Russell se importando mais com sua raiva que com a integridade de Bottas.

– Russell devia ter dado aquele tapa depois de uma panca tão forte?
– Eles não deveriam estar se ajudando?

Isso tudo foi analisado e discutido a rodo pelos fãs e especialistas, mas Russell cometeu um erro capital que o tirou toda a razão pós acidente: o chilique na TV e na internet, de cabeça quente. Ah, os nossos 20 e poucos anos…

Bottas ficou bem atordoado com a panca (Reprodução de TV)

Para os torcedores adeptos do “team treta”, foi um prato cheio o pós corrida. Enquanto Bottas aparentava sentir culpa, Russell foi xingar muito no Twitter. E foi aí que ele tomou a primeira patada do mundo da Fórmula 1: você pode deixar de ser o queridinho de todos em cinco segundos.

O que veio depois foi um combo de porradas no jovem inglês: Bottas, recomposto depois do acidente, não poupou críticas, que foram feitas nos microfones de TV do mundo. Usando sua experiência, Bottas lidou muito bem com a situação: Russell tinha “dado o primeiro soco” de cabeça quente e isso foi muito bem usado pelo finlandês, que ironizou: “uma teoria e tanto”.

A segunda pancada foi pior, pois veio do chefe da Mercedes, Toto Wolff, que também é chefe de Russell, um contratado da montadora. Ouvir do cara que até pouco tempo atrás te queria como titular que você deveria era estar na Copa Clio não é o melhor dos elogios. Para um moleque de 20 e poucos anos, isso caiu como uma bomba.

Foi ali que Russell notou que Wolff não tá nem aí pra ele, mas para sua equipe – e que ele não é parte integral da Mercedes no momento: ainda é só um jovem piloto com potencial. E Wolff não está nada errado, pois ele é o responsável por uma operação de milhões de dólares, cara demais para um moleque vir e estragar tudo – ainda mais um protegido.

Em qualquer emprego, na verdade, você nunca deve irritar o seu chefe.

George Russell e Toto Wolff: nunca irrite seu chefe (Mercedes)

Numa batida, ele poderia ter não só tirado uma Mercedes da prova, mas também do futuro dele. Tanto que ele correu para as redes sociais logo em seguida (e, provavelmente, depois de ter tomado um sacode que só ele vai poder contar) para pedir desculpas.

E nessas ele corre o risco de se ferrar também com a Williams, que depende da Mercedes, foi a parte mais prejudicada e menos ouvida nisso tudo. A diferença é que ela sabe o lugar dela e Russell parece já estar contando com a vaga número 2 do time alemão.

No mundo politicochato da F1, Russell aprendeu em Ímola talvez a lição mais importante de sua carreira: saber ter jogo de cintura, calma, frieza e que expor suas fraquezas nesse jogo não é negócio. Receber apoio de Lewis Hamilton no Instagram não vale nada se você não tem o apoio do seu chefe.

Se ele tivesse ficado quieto, talvez ele nem teria ficado com a culpa (principalmente dentro da Mercedes).

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