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Há 40 anos o ARVW atingia 362 km/h

Carro pilotado por Keke Rosberg e construído pela Volkswagen para superar a marca do Mercedes-Benz C111-III bateu dois recordes sucessivos em um mesmo dia

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A aerodinâmica sempre desempenhou um papel fundamental na concepção dos veículos mas, cada vez mais, ela é imprescindível na elaboração dos veículos modernos. Quanto menos arrasto um veículo gera ao se mover pelo ar, menos energia consome e mais silenciosamente ele se move.

Ao longo dos anos, as montadoras experimentaram veículos com formas extremas para demonstrar a relação congênita entre resistência e potência. Entre eles, poucos foram mais radicais do que o Aerodynamic Research Volkswagen — ARVW — de 1980, praticamente uma flecha com um único assento que continua sendo o veículo mais aerodinâmico já construído sob o emblema da VW.

O carro tinha um coeficiente de arrasto de 0,15

Impulsionado pela crise do petróleo na década de 1970, o ARVW foi concebido para demonstrar como a aerodinâmica e a construção leve de veículos poderiam gerar velocidades enormes a partir da energia cotidiana. O primeiro desafio foi “espremer” um piloto, trem de força e quatro rodas em uma estrutura que pudesse ter o menor perfil possível. Com apenas 838,2 mm de altura e 1.099,8 mm de largura, o formato do ARVW foi maximizado em cada uma das suas linhas para proporcionar maior suavidade aerodinâmica, desde as rodas carenadas e a parte inferior da carroceria, até as aletas móveis que ajudavam a mantê-lo estável em altas velocidades.

A intenção da VW era construir um carro que, além de estabelecer recordes de velocidade, deveria superar a marca do Mercedes-Benz C111-III, que tinha alcançado 322 km/h na pista de Nardò, na Itália, em 1978 com um motor turbodiesel de 230 cv e uma carroceria igualmente aerodinâmica.

Ele foi construído a partir de uma estrutura de alumínio, fibra de vidro e carbono

O ARVW foi construído a partir de uma estrutura de alumínio complementada uma de fibra de vidro e carbono. A potência vinha de um motor a diesel de seis cilindros em linha, com 2,4 litros, turboalimentado, que produzia 177 cv, posicionado logo atrás do motorista, que tracionava as rodas traseiras por meio de uma corrente.

Os resultados foram um veículo com um coeficiente de arrasto de 0,15, número extremamente mais eficiente do que qualquer veículo de produção normal. Em outubro de 1980, uma pequena equipe de engenheiros da Volkswagen acompanhada do piloto de Fórmula 1 Keke Rosberg foram a Nardo para avaliar do que o ARVW era capaz. Na primeira hora, o carro atingiu 355,66 km/h. Na sequência, atingiu a marca de 362,1 km/h, estabelecendo dois recordes mundiais consecutivos de velocidade.

Ele usava um motor a diesel de seis cilindros em linha, com 2,4 litros, turboalimentado, que produzia 177 cv

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