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Johnny Dumfries e o injusto fardo de ser o companheiro de Ayrton Senna

RaceCar

Artigo publicado originalmente em 26/4/2016 no blog do jornalista Bruno Vicaria e atualizado em 28/8/2020.

Ele sempre foi ironizado como o companheiro ruim de Ayrton Senna que foi contratado para ficar no lugar do vetado Derek Warwick. Mas John Colum Crichton-Stuart, o Conde de Dumfries, tem seu valor.

E não estamos falando do valor de ser um conde escocês, pois ele odeia ser chamado assim – prefere ser conhecido por John Bute ou, como todos nós conhecemos, Johnny Dumfries.

As boas condições lhe deram o luxo de trocar os estudos pela carreira nas pistas. E podemos até garantir que deu certo por um período.

Sua carreira automobilística foi dotada de três grandes fases: a primeira foi na F3, em 1984. Dumfries venceu a badaladíssima F3 inglesa com 14 vitórias e foi vice-campeão da F3 europeia atrás de Ivan Capelli.

Como a maioria sabe, vencer na F3 inglesa nos anos 80 é ganhar automaticamente a credencial para a Fórmula 1, independente de sua origem ou de seu orçamento – um tipo de reconhecimento que nos dias de hoje faz falta, uma vez que a F3 atual é apenas uma leve lembrança da categoria clássica.

E foi basicamente o que aconteceu, só que demorou um ano – que ele passou na nova F3000, trocando de equipe no meio do ano e com resultados modestos, enquanto alternava testes pela Ferrari! Uma experiência curta e inusitada, mas que lhe abriu as portas.

Aí veio a Lotus. E a dispensa de Warwick, e Dumfries entrou. Somou três pontos, não se classificou em Mônaco e ficou eternizado com as imagens onboard no GP da Austrália, rodando em pleno hairpin ao retomar a velocidade.

Naquele ano, o escocês somou três pontos e teve uma atuação mega honesta para um estreante: as seis provas que terminou ele ficou entre os dez primeiros. E, dos nove abandonos, apenas um por erro dele mesmo, na Bélgica. Tem muito piloto vencedor de corrida e até campeão mundial que chegou a ter uma temporada de estreia bem pior que a dele.

Só que, assim como entrou, Dumfries saiu. Interessada nos motores Honda, a Lotus chutou o escocês pela entrada do japonês Satoru Nakajima em 1987. E ele foi respirar outros ares, certo de que tinha tanto talento nas mãos e pés quanto recursos no bolso.

Porém, Dumfries conseguiu fechar a carreira de forma digna e com outro grande resultado: ele foi campeão das 24 Horas de Le Mans em 1988 com a mítica Jaguar XJR-9, ao lado de Jan Lammers e Andy Wallace.

No fim dos anos 80, mais precisamente em 1989 e 1990, Dumfries foi um dos pilotos de testes da equipe Benetton, ao lado de Alessandro Nannini, Emanuelle Pirro e, mais tarde, Nelson Piquet. Depois disso, fez mais uma tentativa nas 24 Horas de Le Mans com a Tom’s Toyota e se aposentou completamente das pistas.

Hoje, com 62 anos, ele mora em uma mansão ancestral da família na Ilha de Bute, construída entre 1879 e 1900.

 

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