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Leclerc “matou” Vettel politicamente dentro da Ferrari, diz Ralf Schumacher

Irmão de heptacampeão mundial e ciente de como funciona a escuderia italiana, classifica monegasco como "mais inteligente" que companheiro de equipe.

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Afastado dos paddocks da F1 e hoje comentarista da Sky Sports alemã, Ralf Schumacher fez uma análise interessante sobre o ambiente interno da equipe Ferrari, que vive um pesadelo neste início de temporada, agravado pelo acidente envolvendo seus dois pilotos na segunda corrida do ano.

Se, no primeiro GP realizado no Red Bull Ring, Charles Leclerc foi o herói por ir ao pódio com um carro limitado e Sebastian Vettel o vilão por rodar e ser apenas o décimo, na segunda as coisas só pioraram, com o monegasco largando na segunda metade do grid após uma punição e acertando o parceiro na terceira curva após a luz verde.

No entanto, o que espantou Ralf foi a forma como os pilotos lidaram com as duas situações. Para o irmão de Michael Schumacher, Leclerc tem maturidade e postura política dentro da equipe, construindo uma posição de liderança ao seu redor, independente de erros, ao contrário de Vettel, que, nos últimos anos, só conseguiu se afastar da Ferrari, o que resultou em seu desligamento no fim deste ano.

“Leclerc matou Sebastian politicamente em um tempo muito curto. Ele é incrivelmente maduro para sua idade” – Ralf Schumacher.

“Honestamente, tenho de dizer que Leclerc se mostra bem mais esperto que Sebastian nesse sentido. Ele imediatamente se levantou e disse ‘eu errei’, o que soa muito melhor que ‘estava infeliz com meu carro e fiquei contente em apenas permanecer na pista'”, analisou Ralf, que elogiou o comportamento do jovem monegasco.

“Leclerc é legal, mas ele sabe dar de ombros. Dentro da equipe, ele matou Sebastian politicamente em um tempo muito curto. Ele é incrivelmente maduro para sua idade”, continua Ralf. Episódios assim são comuns na F1, não só em equipes grandes.

“Não existe um ‘vamos seguir em frente’ nessa história” – Ralf Schumacher.

Os brasileiros podem se lembrar do processo de fritura de Antonio Pizzonia na Jaguar em 2003 comandado por Mark Webber, por exemplo. Ou até mesmo a forma com que Ayrton Senna conduzia seus trabalhos junto às equipes, vetando nomes ou aniquilando as chances de seus companheiros – Derek Warwick que o diga (para quem não sabe, o inglês estava no auge da carreira, foi vetado por Senna para ser seu companheiro de equipe na Lotus e nunca mais vingou na F1). Ou, em uma história mais recente, Fernando Alonso com Felipe Massa e Lewis Hamilton contra Fernando Alonso e Nico Rosberg.

Voltando a falar sobre o acidente, Ralf deixa entender que a Ferrari sofre com falta de comando em sua administração, sem citar o nome do atual chefe de equipe, Mattia Binotto, mas deixando claro que a escuderia italiana precisa de mudanças estruturais.

“Esse realmente foi um acidente de proporções históricas. É inacreditável e não pode continuar assim. As coisas precisam mudar na Ferrari e eles estão andando no caminho errado há anos”, continua.

“É inacreditável e não pode continuar assim” – Ralf Schumacher.

“Muitas coisas exigem consequências de nível administrativo, mas não sei se esta é a hora para isso, ainda. Não faz sentido mudar no meio da temporada, mas você precisa começar a procurar. Não existe um ‘vamos seguir em frente’ nessa história”, conclui Ralf.

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