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Mônaco: palco do maior vexame da McLaren na F1

Uma McLaren fora do GP de Mônaco é algo impensável nos dias de hoje, mas aconteceu e foi primordial pra ressureição do time no ano seguinte.

RaceCarNiki Lauda em Mônaco, 1983

Sim, você leu certo. Mesmo não tendo como não associar Mônaco à McLaren (principalmente por causa de Ayrton Senna) na F1, teve uma vez em que ela passou por um vexame pior que o do meio da última década.

Foi em 1983, quando ela dava seus primeiros passos com o revolucionário MP4/1C, primeiro carro a usar um habitáculo feito em fibra de carbono. Na ocasião, o motor que empurrava os foguetes era o Ford, que provas depois seria trocado por um Porsche Turbo por uma imposição de Niki Lauda, tamanha a defasagem para os concorrentes que já usavam esta tecnologia, como Brabham, Renault e Ferrari.

Mas em Mônaco, no caso, não era para fazer muita diferença ter ou não um motor turbo, já que a pista não dava margem para os motores mostrarem nem metade de seu total potencial. A McLaren vinha de uma dobradinha histórica com John Watson à frente de Lauda, ambos saindo da 22ª e 23ª posições, respectivamente.

Niki Lauda em Mônaco, 1983

Por Long Beach ser um circuito de rua, as expectativas eram nitidamente altas para o Principado. Na época – e isso prevaleceu até o GP de 1987 -, apenas os 20 melhores carros na classificação largavam, independente se o grid tinha 22, 24, 26 ou infinitos carros. Para se ter uma ideia, em 1975 foram autorizados apenas 18 carros no grid.

Enfim. Na primeira classificação, da quinta-feira, os pneus Michelin resolveram pregar uma peça na equipe. Nem Lauda, 22º, muito menos Watson, 23º, conseguiam fazer a borracha atingir a temperatura ideal. E esse não era um problema dos pneus, pois Jean Pierre Jarier, com uma modesta Ligier, marcara o nono tempo.

Só que havia outra classificação no sábado, então o jeito foi estudar loucamente os dados obtidos na sexta-feira – que não eram tão amplos como nos dias de hoje – para tentar virar o jogo. Mas não foi isso que os deuses da velocidade reservaram para eles. Afinal, a McLaren fora de Mônaco na F1 já era considerado um sacrilégio naqueles tempos. Era tipo a Penske não se classificar para a Indy 500 (o que aconteceu em 1995, mas esta é outra história).

John Watson em Mônaco, 1983

Qualquer chance de memória foi pelo ralo quando choveu no sábado. Os tempos de volta aumentaram em 20 segundos e não havia como Lauda e Watson escaparem da degola. Na sessão chuvosa, o austríaco foi quinto e o britânico sétimo, mas de nada adiantou.

Essa foi a única vez na carreira de Lauda que ele não conseguia se classificar em uma corrida na F1. E foi também a última vez em que nenhum carro McLaren largou em uma prova desde a estreia do time – isso chegou a acontecer duas vezes no campeonato de estreia, em 1966, nas etapas da Bélgica e da Holanda, mas naquela ocasião o time só tinha um carro, o do fundador Bruce McLaren, e ele não conseguiu largar.

Um baita vexame. Por conta disso que Lauda forçou o patrocinador a investir mais e trocar os Ford pelos Porsche Turbo. Ou seja: este vexame foi o estopim de uma revolução que levou a McLaren a dominar a F1 vencer seis dois oito títulos disputados entre 1984 e 1991.

Já imaginou a McLaren fora de um GP nos dias de hoje?

Ou melhor: já imaginou a McLaren fora de Mônaco na F1?

Curiosamente, foi com esse mesmo carro que Ayrton Senna teve seu primeiro contato com a McLaren. E, por falar em 1983, encontramos esse vídeo bem legal do Alain Prost em uma tomada que pode ser considerada rara e nunca antes vista pela maioria aqui, inclusive quem escreve esta matéria:

O teste de Senna também está na internet e você pode ver abaixo, junto com outros dois testes, um pela Williams e outro pela Toleman, equipe escolhida por ele para começar na categoria na temporada de 1984:

Aliás, foi também com essa McLaren de 1983 que o nosso saudoso Murray Walker, considerado o eterno locutor da F1, falecido aos 97 anos de idade, realizou o sonho de sua vida de pilotar um carro de F1. Este momento aconteceu em Silverstone e serve como nossa homenagem a ele:

Foi em 1983 que o Tema da Vitória tocou pela primeira vez na história – e para Nelson Piquet, vencedor do GP do Brasil em Jacarepaguá, que você pode ver na íntegra abaixo:

Por fim, para encerrar essa “sessão 1983”, está disponível nas redes também um resumo completo da temporada, que consagrou Nelson Piquet como bicampeão, com quase duas horas de duração:

 

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