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O bom exemplo dado pela NASCAR

Campeonato norte-americano volta às pistas e cria a base para o retorno das corridas ao redor do mundo.

RaceCar

Primeiro campeonato a voltar a competir desde que a Porsche Cup Brasil fez sua rodada dupla de abertura às vésperas do cancelamento de eventos esportivos no meio de março, a NASCAR chamou para si a responsabilidade de ser a primeira a criar um caminho que provavelmente todos os campeonatos do mundo deverão trilhar a partir de algumas semanas – caso a pandemia do coronavírus permita.

Campeonato com o maior número de corridas entre todos no mundo (tradicionalmente são 36 em “anos comuns”), os norte-americanos realizarão duas dobradinhas em circuitos com etapas nos domingos à tarde e nas noites de quarta. Assim está acontecendo com Darlington e está previsto para acontecer em Charlotte, que recebe a tradicional prova de 600 milhas no dia 24 de maio. A partir de Bristol, em 31 de maio, a ideia é dar sequência no plano original do calendário.

Kyle Busch: as máscaras viraram parte do uniforme (Chris Graythen/Getty Images)

Calendário à parte, os procedimentos em Darlington que chamaram a atenção de todos. Quem estava em casa notou dois logo de cara: o primeiro, obviamente, foi a ausência de público; o segundo foi a qualidade da transmissão, um pouco abaixo do habitual, por conta da geração de imagens ter sido feito por streaming e por equipe reduzida.

Cerca de 900 pessoas foram autorizadas a entrar nas dependências do circuito. Todas receberam previamente um manual de instruções com mais de 30 páginas do que era permitido ou não e deveriam já chegar ao autódromo cientes desses requisitos.

Já na primeira barreira, todos assinaram duas cartas de responsabilidade, tiveram seus veículos revistados e passaram por uma triagem médica, com medição de temperatura. Só depois disso que os credenciados foram autorizados a participar do evento.

Largada com arquibancadas vazias (Chris Graythen/Getty Images)

Na parte de imprensa, apenas quatro jornalistas foram credenciados e puderam ficar na chamada “Press Box”, um local exclusivo para a mídia acompanhar a corrida fora da Sala de Imprensa. Os jornalistas, assim como os spotters dos pilotos, que ficam em um local no alto da arquibancada com visão completa da pista, eram cobrados para manter o distanciamento social entre si nos espaços frequentados.

Durante a transmissão, deu para notar claramente que praticamente todos usavam máscaras – dos mecânicos sem capacete aos repórteres da Fox Sports, passando pelos membros das equipes e qualquer outra pessoa que por ali estivesse. Deu para pescar um ou outro com a máscara abaixada ou mal colocada, mas ficou nítido que todos respeitaram bastante o manual de instruções distribuído dias antes pelos organizadores.

Os mecânicos nos pit-stops foram o máximo de aglomeração visto no evento (Jared C. Tilton/Getty Images)

Apesar de a corrida não ter sido tão emocionante como todo mundo esperava para um retorno e de a comemoração ter sido fria e sem público, o lado bom foi que as atenções ficaram restritas apenas ao que acontecia na pista, sem nenhuma polêmica ou problema relacionado aos procedimentos de segurança, higiene e distanciamento social.

Ponto para a NASCAR. Ponto para o automobilismo. Agora sabemos que o esporte a motor consegue continuar no meio disso tudo.

Para melhorar, a audiencia da Nascar ontem em Darlington na Fox aberta nos EUA foi de 6,32 milhões de pessoas, um crescimento de 38% em relação à última corrida antes da quarentena. A maior audiência de uma corrida nos últimos três anos, exceto a Daytona 500.

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