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Um dia histórico do maior espetáculo do planeta em imagens

Marcando a volta do público às pistas e realizando todas as tradições possíveis, Indy 500 2021 é histórica não só pelo tetra de Helinho.

RaceCar

No momento que você está vendo esta matéria, já é mais que sabido que Helio Castroneves entrou para o seleto grupo de quatro pilotos a terem sido tetracampeões da Indy 500, o maior espetáculo do planeta, ao lado de AJ Foyt, Al Unser e Rick Mears.

Veja a prova completa com narração de Geferson Kern e comentários de Rodrigo Mattar clicando aqui.

Para fugirmos do lugar comum e mostrar detalhes diferentes que todos os outros já mostraram, nós vamos fazer um relato visual do maior espetáculo do planeta. Mas, para conseguirmos um material de excelência, contamos com uma colaboração vital de oito fotógrafos: Walt Kuhn, Matt Fraver, Sean Birkle, Joe Skibinski, Chris Owens, Karl Zemlin, James Black e Doug Mathews.

Essa turma registrou as seguintes imagens e a galeria com mais de 80 fotos que você poderá ver na íntegra ao fim desta materia.

A MAGIA DO TROFÉU BORG WARNER

Esse troféu talvez seja o símbolo mais conhecido e associado ao automobilismo depois da bandeira quadriculada. Com o rosto de todos os vencedores, o Troféu Borg Warner é um daqueles objetos de desejo até para o piloto que já conquistou tudo na vida, como Fernando Alonso, que tentou e não conseguiu vencer.

Mas, em contrapartida, Takuma Sato, que não conseguiu um lugar ao sol na F1 e é considerado um piloto bem inferior a Alonso, tem seu rosto gravado duas vezes no troféu. Esse é o legal de Indianápolis: seu currículo aqui não vale nada, pois é um evento único.

O PÚBLICO ESTÁ DE VOLTA AO SPEEDWAY

A volta do público é um dos fatores que faz da Indy 500 de 2021 algo especial e inesquecível nesses tempos de pandemia. Porém, nem todos os lugares puderam ser ocupados.

O público ficou restrito apenas à presença nas arquibancadas e não em seu interior – chegamos a ver shows rolando na parte interna da curva 3 durante edições passadas -, foi emocionante ver as pessoas vibrando com a volta à vida normal.

Pelo menos lá nos Estados Unidos… Aqui seguimos com portões fechados em tudo, mas seguimos esperando por dias melhores.

TRADIÇÃO NO CERIMONIAL

A cerimônia pré-corrida também era algo que todo mundo estava com saudade depois da edição fria e sem público do ano passado. Até o barulho ensurdecedor dos caças que fazem o tradicional sobrevôo sob o circuito foi aplaudido. Assim com as execuções do hino norte-americano e da clássica “Back Home Again In Indiana”, a apresentação dos pilotos, e todo aquele cerimonial que todos nós conhecemos.

O maior espétáculo do planeta está a poucos minutos de começar.

FESTA EM FAMÍLIA

A tradicional apresentação dos pilotos também marcou o retorno das famílias dos mesmos aos autódromos – antes restritos a um limite de pessoas e uma série de protocolos. E cada piloto celebrou da sua forma: Ryan Hunter-Reay, por exemplo, fardou os filhos com as cores de seu macacão.

UMA EQUIPE SÓ DELAS

Tivemos também uma equipe composta apenas por mulheres – algo inédito na história da prova.

Mesmo sem completar a prova, a Paretta Autosport fez esporte e merece total reconhecimento – além de mostrar que é possível as mulheres terem espaço em um ambiente que é majoritariamente masculino.

PASSADO E PRESENTE CAMINHAM JUNTOS NA INDY 500

Outro momento espetacular foi o respeito ao passado e aos pilotos históricos. Boa parte dos carros vencedores da Indy 500 desfilaram antes da largada, alguns com grandes campeões, como o octagenário Mario Andretti, campeão em 1969 e ainda em atividade fazendo eventos promocionais para a Indycar. Tivemos Arie Luyendyk e Johnny Rutherford guiando suas máquinas vencedoras e os que não puderam pilotar, como Al Unser, e os já falecidos, como Bobby Unser, foram representados por gente graúda como Al Jr. e Dario Franchitti.

Na galeria tem todo esse povo para você ver.

A TENSÃO CRESCE

Passadas as festividades, chegou a hora da concentração e preparação. O clima festivo dá lugar a tensão entre os pilotos e cada um se concentra de uma forma diferente. Alguns passam a maior parte do pré-corrida dentro do carro e outros deixam para entrar no instante final. Aí vai de cada um.

A expressão dos olhos de Pietro Fittipaldi dizem tudo.

O MAIOR ESPETÁCULO DO PLANETA VAI COMEÇAR

Quando todos os mecânicos se afastam, o safety car começa a se mover e os pilotos se veem sozinhos dentro do carro, é a hora que todos percebem que não tem mais como fugir.

É hora da guerra. 250 milhas, quase três horas de batalha e estratégia, onde a vitória não se decide no começo. E, assim como nos Big Brothers da vida, ninguém do grid de 33 pilotos quer ter o desprazer de ser o primeiro a abandonar – e tivemos caso de confusão antes mesmo da largada (1982, com Kevin Cogan destruindo a primeira fila, ou 1992, quando o pole Roberto Guerrero rodou na volta de apresentação dizem muito).

GREEN, GREEN, GREEN

Fora da pista, como em todo evento norte-americano, o marketing continua. Milo Ventimiglia, o queridinho do momento da turma das séries (ele estrela a aclamada This is Us no momento) foi escolhido para ser o Grand Marshal e agitar a bandeira verde na largada.

Ele até que fez bonitinho, melhor que a Serena Williams em Mônaco, que não sabia nem como agitar a bandeira.

Porém, com uma cena dessas acontecendo, ninguém prestou a mínima atenção no Milo Ventimiglia…

A foto acima seria a perfeita definição de “This is Us” caso alguém pedisse uma foto para explicar o que é a Indy 500.

THE RACE IS ON

Com a bandeira verde, a batalha começa. Como nos jogos de NBA, a decisão vem no último quarto. Mas, para estar em condições de disputar a vitória nas 50 voltas finais, você precisa, nas 150 voltas anteriores, ser rápido sem destruir os pneus, andar rápido buscando o vácuo do carro à frente para economizar combustível (por isso as “serpenteadas” nas retas: não deixar o piloto de trás pegar o seu vácuo é um jogo importante).

No meio de tudo isso, você precisa desviar de confusões e refazer todas as contas a cada bandeira amarela. É um jogo complexo que só Indianápolis proporciona.

YELLOW FLAG! YELLOW FLAG!

Acidentes? Claro que tivemos. Curiosamente, muitos deles na entrada dos boxes, casos de Simona de Silvestro e Stefan Wilson, irmão de Justin, que aparece na foto acima. Acidentes nos boxes de Indianápolis não é novidade, mas fazia tempo que não víamos tantos.

Também tivemos pancadas fortes, como a de Graham Rahal, que beijou o muro após a roda traseira esquerda se soltou após um pit-stop desastroso, mas não se machucou (só a moral).

É, Graham, fica para a próxima!

BOX, BOX, BOX!

Você não precisa fazer uma parada meteórica, mas os pit stops são essenciais para o funcionamento de uma estratégia – somada à todas as variantes que já citamos, como as bandeiras amarelas.

Teve piloto que conseguiu “trucar”, pular um pit stop e se arrastar até a bandeirada para vencer, enquanto o resto parou e se esgoelou tentando alcançá-lo antes da bandeirada.

Esse foi o caso, por exemplo, de Alexander Rossi em 2016. Mas não é sempre que funciona.

A HORA DA VERDADE

E foi no quarto final que tivemos a disputa que marcou a prova, entre Helio Castroneves e Alex Palou. O veterano brasileiro já dava sinais de que venceria a prova dando um exemplo nítido de como se vencer o maior espetáculo do planeta em Indianápolis, mas nada é resolvido antes da bandeirada final.

Durante muitas voltas das 150 primeiras, Helio ficou atrás de Palou, mas só no vácuo do veloz espanhol, andando com o acelerador em 3/4 e poupando equipamento.

E isso foi vital nas últimas voltas: com o carro da estreante Meyer Shank Racing, Helio tinha a multivencedora Chip Ganassi por trás da revelação Palou, que não facilitou a vida do brasileiro, mas ele foi lá e deu aula.

CHECKERED FLAG!

Era nítido que Castroneves tinha a corrida na mão e, usando toda sua experiência, vendo que Palou levava mais de uma volta para retomar a posição, Helinho deu o bote na penúltima volta.

Para acrescentar mais drama, a volta final tinha um batalhão de retardatários. Mas Castroneves usou isso em seu favor, fez bem o jogo de vácuo e conseguiu receber a bandeira quadriculada na frente.

COLA NA GRADE!

Nem nos nossos melhores sonhos, nós imaginamos ver essa grade de Indianápolis ser escalada de novo. A idade (46 anos), somada à equipe nova e ao fato de correr pouquissimas vezes na temporada não deixaram de colocar Castroneves no grupo de possíveis zebras para levar o maior espetáculo do planeta.

Mas Helinho tem uma magia sobre esta prova que pouquíssimos têm, como AJ Foyt, que estava presente como chefe de equipe do alto de seus 80 e poucos anos e reconheceu o feito, assim como a maioria dos pilotos do grid, que foi dar parabéns ao brasileiro. Ele só não foi colocado como zebra, pois todos sabem de sua capacidade em Indianápolis.

FAZENDO HISTÓRIA, FORTUNA E AMIGOS BEBENDO LEITE

Tem gente que nunca fez amigos bebendo leite.

Mas tem um cara que fez, fama, fortuna e história bebendo leite.

O nome dele é Helio Castroneves, o maior piloto brasileiro desde 1994, além de ser o maior entre os que nunca ganharam um título de Fórmula 1.

Ei, Helio, será que dá para pensar no penta no maior espetáculo do planeta?

Mas vamos te dar uma sugestão: tenta conquistar uma Indy 500 sendo cinquentão!

Enquanto a edição de 2022 não chega, confira esse espetáculo de galeria.

 

(PS: menção mais que honrosa à incrível transmissão de Geferson Kern e Rodrigo Mattar pela TV Cultura. Um banho de emoção e boas informações).

 

GALERIA DE FOTOS DA INDY 500

 

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